Concurso SESC Mogi das Cruzes
Arquitetura: 23 SUL, WIERMAN.studio
Equipe: Álvaro Ortiz, Ana Luiza Broetto, Gabriel Manzi Frayze Pereira, Gustavo Wierman, Ivo Magaldi, João Victor Lovadino, Julia Moteoliva Serrano, Luis Pompeo Martins, Luiz Florence, Mariana Chiarello, Moreno Zaidan, Tiago Oakley
Interiores: –
Paisagismo: Klara Kaiser Mori
Colaboradores: Eleanna Grammatopoulou
Engenharia Estrutural: –
Engenharia MEP: –
Local: Mogi das Cruzes, SP – Brasil
Ano: 2025
Área Construída: 20.000m2
Status: –
Imagens: Ricardo Iannuzzi
Fases: Concurso
Arquitetura: 23 SUL, WIERMAN.studio
Equipe: Álvaro Ortiz, Ana Luiza Broetto, Gabriel Manzi Frayze Pereira, Gustavo Wierman, Ivo Magaldi, João Victor Lovadino, Julia Moteoliva Serrano, Luis Pompeo Martins, Luiz Florence, Mariana Chiarello, Moreno Zaidan, Tiago Oakley
Interiores: –
Paisagismo: Klara Kaiser Mori
Colaboradores: Eleanna Grammatopoulou
Engenharia Estrutural: –
Engenharia MEP: –
Local: Mogi das Cruzes, SP – Brasil
Ano: 2025
Área Construída: 20.000m2
Status: –
Imagens: Ricardo Iannuzzi
Fases: Concurso
O projeto do novo SESC Mogi propõe a revisão do conceito de uma edificação isolada em um lote para se lançar na proposta de desenho de paisagem urbana, na perspectiva de resgatar a natureza como componente indissociável das cidades. Trata-se de um redesenho de uma estrutura urbana, numa composição de circulações avarandadas, cobertas e descobertas, que amarram componentes naturais e construídos. Ao invés de um volume a ser visto da cidade, é uma conformação urbana a ser vista através do filtro dos elementos da paisagem natural.
Evocamos projetos que se tornaram referências históricas, como o Sesc Pompéia, que criou versões humanizadas de ruas e cidades, resgatando as memórias das urbanizações tradicionais pré-carro, e a marquise do Parque Ibirapuera, que combina de forma elegante e monumental programas culturais do parque. Em ambos os casos, os contextos relacionam ambientes abertos, vegetação, em diversas escalas, e eixos de urbanização que conectam edificações simbólicas, onde o conjunto se torna ao mesmo tempo paisagem e objeto.




O principal elemento de amarração entre as paisagens naturais e os volumes construídos translúcidos é uma grande infraestrutura de mobilidade ativa: uma marquise, que também opera como uma grande laje elevada, como objetivo de criar um microclima e um abrigo aos frequentadores, organizando o desenho a partir do grande vazio central com uma série de situações avarandadas ao longo terreno.
A nossa leitura de projeto alinhado aos critérios de sustentabilidade passa pela arquitetura da construção, a arquitetura do lugar, e a arquitetura do programa. O conceito de ocupação do terreno teve como uma das premissas a preservação do patrimônio natural do terreno. A concepção de ocupação lindeira com o adequado afastamento do perímetro, não apenas deu o protagonismo para a massa arbórea central, como também preservou quase todas as árvores. Além disso, foram propostas muitas novas espécies no terreno, ampliando a massa arbórea original e integrando com as edificações existentes, em diversas escalas.






As relações estabelecidas entre os componentes do SESC – o teatro, biblioteca, comedoria, café, loja, quadras, piscina, entre outros – buscaram se materializar em espaços de vivência de diversas escalas, também intermediadas por áreas verdes, sombreadas e abertas, em uma escala menor que o grande bosque central. Através de uma pesquisa sobre a arquitetura das outras unidades do SESC, o projeto buscou criar um circuito, materializado pela grande marquise, que conecta no mesmo nível da praça todos os programas principais, de maneira a conduzir naturalmente os usuários para as diversas experiências recreativas e cotidianas. Os fluxos podem ocorrer de forma radial, ou de forma circular, permitindo assim uma permeabilidade quase que total de cada edificação, que tem contato com o bosque, ao mesmo tempo que com as ruas lindeiras nos acessos de público e apoio a serviços.
Em nossa proposta para o novo Sesc Mogi das Cruzes, consideramos a estruturação do projeto e sua futura utilização com base nas áreas verdes naturais, configurando-o como uma verdadeira unidade parque. Cercado por paisagens naturais e pelo Cinturão Verde de São Paulo, o novo Sesc Mogi se estabelece como um modelo de práticas sustentáveis e preservação ambiental, tornando-se uma referência para futuros projetos.
ADAPTAÇÃO E RESILIÊNCIA.
Em face ao novo paradigma climático, e aos recentes eventos climáticos extremos, a arquitetura deve dar respostas atualizadas com novos parâmetros. As condições de precipitação, as chuvas torrenciais, os tempos de calor extremo exigem novas respostas da arquitetura, de modo a garantir uma paisagem urbana habitável, que respeite as diferenças de corpos, gênero, e classe social. Neste sentido, o projeto segue a proposta de criar resiliência através da manipulação de soluções baseadas na natureza, mas também na construção de uma geomorfologia que garanta a mobilidade ativa com o mínimo de desníveis e patamares.
Tratando a natureza como parte da infraestrutura urbana, o projeto se direciona a propor redes de infraestruturas verdes, formadas por baixios, talvegues marcados por canais filtrantes de encaminhamentos de águas, jardins de chuvas e áreas alagáveis dentro do bosque, e nos jardins entre programas. O objetivo foi garantir a mobilidade e acessibilidade dos usuários, sem comprometer a permeabilidade do terreno, dentro de um contexto no qual cada nova construção tem um compromisso com a adaptação ao cenário climático.