Concurso SESC Thermas
Autores 23 SUL, WIERMAN.studio
Equipe: Ana Carolina Ferrigatti Memede; Ana Luiza Broetto Baptista; Eleanna Grammatopoulou; Gabriel Manzi Fryze Pereira; Gustavo Wierman; Tiago Carvalho Oakley.
Local: Presidente Prudente, SP – Brasil
Ano: 2025
Área Construída: 25.000m2
Fases: Concurso
Autores 23 SUL, WIERMAN.studio
Equipe: Ana Carolina Ferrigatti Memede; Ana Luiza Broetto Baptista; Eleanna Grammatopoulou; Gabriel Manzi Fryze Pereira; Gustavo Wierman; Tiago Carvalho Oakley.
Local: Presidente Prudente, SP – Brasil
Ano: 2025
Área Construída: 25.000m2
Fases: Concurso
O terreno do Sesc Thermas de Presidente Prudente é um raro e precioso sítio verde na malha urbana, com mais de 36 mil metros quadrados de vegetação e um córrego vivo, que o conecta simbolicamente à Reserva Florestal Córrego do Veado e à Unesp. Preservar esse elo natural é a alma do projeto, que reconhece a paisagem como protagonista e se compromete a proteger e qualificar o território existente — suas águas, árvores e solo.
A edificação se concentra sobre a clareira já ocupada por construções a serem removidas. Assim, evita-se a supressão de vegetação, respeitando os recuos do curso d’água e a cota de inundação. Essa implantação consciente preserva o parque e potencializa seu uso público. O edifício organiza-se em patamares que acompanham os níveis naturais do terreno, reduzindo escavações e fundações complexas. A verticalização, nesse caso, se equilibra com a intenção de manter o contato direto com o solo e o ambiente natural.
A água orienta a lógica da proposta. As piscinas termais se posicionam junto ao vale do afluente do Córrego do Veado, revelando sua paisagem e dialogando com a praça das águas. A presença hídrica é mais que recurso físico: estrutura uma arquitetura fluida, que se adapta ao terreno, interage com jardins de chuva e revela trechos do córrego, integrando-o ao cotidiano da unidade.
Um circuito contínuo de pedestres atravessa os níveis do terreno, conectando os acessos da Rua Alberto Peters e da Avenida Luiz Peretti. Essa promenade transforma o edifício em uma topografia construída, que organiza os fluxos e estrutura o programa: áreas técnicas, espaços de convivência, comedoria, centro ambiental, teatro, esportes, setor infantil e administração.
A arquitetura não se impõe à paisagem: dialoga com ela. O edifício configura um marco simbólico, sem perder a escala adequada ao bairro e ao parque. Seu gabarito é contido, a linguagem leve e permeável. Os acessos são convidativos, as fachadas se abrem ao verde, e os limites entre construção e natureza se dissolvem como o vapor das águas quentes que definem o Sesc Thermas.
Sustentabilidade aqui é uma cadeia de decisões: materiais recicláveis, industrializados, duráveis e de fácil manutenção. Mais que atender a normas, a proposta oferece um modelo inspirador de desenvolvimento ambiental, social e cultural — uma arquitetura viva, adptável, generosa e enraizada no lugar.









PAISAGEM NATURAL E CONSTRUÍDA
O edifício do Sesc Thermas é ao mesmo tempo presença e passagem. Implanta-se como quem desce uma montanha em direção ao leito do rio, estabelecendo uma paisagem arquitetônica feita de planos, escadarias e varandas que se abrem para o parque. O acesso principal, pela Rua Alberto Peters, se dá no ponto mais alto do terreno e marca o início de uma descida generosa por entre espaços de convivência e visadas abertas. A escadaria principal — articulada em patamares — configura-se como um vale habitável, um percurso de encontro entre natureza e arquitetura, onde estar e caminhar se entrelaçam.
No nível inferior, encontra-se a Praça do Sesc Thermas, espaço estruturante do conjunto. Ela acolhe grandes eventos, abre-se para o palco reversível do teatro e recebe a praça das águas. Ali também estão a comedoria e o café, que ocupam um ponto de inflexão do percurso, voltados para o parque e suas sombras. Nesse mesmo nível chegam os pedestres que acessam o Sesc pela Avenida Luiz Peretti, entrando suavemente no conjunto por entre taludes, jardins e o som do curso da água.
Do lado norte, uma elevação abriga o complexo esportivo: piscinas, salas de ginástica e ginásio. Ao sul, outra montanha abriga o teatro, os serviços administrativos e o estacionamento. Entre essas duas massas, o edifício se rasga em varandas e escadas abertas que costuram os pavimentos com leveza e transparência. Esses elementos revelam o parque ao caminhar e oferecem pontos de estar, convivência e contemplação.
O espaço central é atravessado por elevadores, assegurando a acessibilidade universal. No primeiro pavimento, localiza-se o espaço de brincar e a recepção principal. Nos níveis seguintes, distribuem-se as salas multiuso, áreas técnicas, administrativas e, no topo, um café panorâmico se abre sobre a cidade, coroando o percurso ascendente.
O parque é o corpo vivo que sustenta a arquitetura. Suas trilhas conduzem a hortas, agroflorestas e áreas de experimentação. A vegetação existente é respeitada e ampliada, criando uma floresta sensorial no coração da cidade. O curso d’água é parcialmente revelado, enriquecendo o projeto paisagístico com jardins de chuva, áreas permeáveis e vegetação adaptada a solos úmidos. Pontes e caminhos sombreados criam circuitos lúdicos e educativos que se integram ao Centro de Educação Ambiental.
O conjunto resulta em uma experiência integral, em que os níveis do edifício, os planos da paisagem e os fluxos de pessoas e água compõem uma única narrativa de cuidado, integração e presença.
ESTRUTURAS, ADAPTAÇÃO E RESILIÊNCIA
O edifício nasce do terreno e se apoia nele com delicadeza e firmeza. As fundações e elementos estruturais do embasamento foram concebidos em concreto armado, compatíveis com as exigências do solo e da cota de inundação. A caixa cênica do teatro, com sua presença monolítica, emerge como uma rocha. Sobre esse embasamento, a arquitetura se eleva com leveza: estruturas metálicas e lajes steel deck compõem os pavimentos superiores, priorizando agilidade construtiva, racionalidade e sustentabilidade.
A escolha por sistemas industrializados visa a precisão, a redução de resíduos, a segurança no canteiro e a responsabilidade com os ciclos de vida dos materiais. Materiais como telhas metálicas sanduíche, painéis de policarbonato alveolar e elementos metálicos recicláveis compõem a linguagem do edifício. Estuda-se também o uso de madeira laminada colada (MLC) em elementos estruturais secundários e coberturas, conferindo conforto térmico, beleza e contribuição ativa para a redução do carbono incorporado.
As estratégias de resiliência climática foram adotadas desde o início do partido. As fachadas superiores são protegidas por peles metálicas ventiladas que filtram a luz solar, permitindo ventilação cruzada e reduzindo cargas térmicas. A circulação vertical central — com escadas e varandas abertas — favorece o efeito chaminé e o resfriamento passivo. Os espaços principais contam com aberturas para ventilação natural e iluminação difusa. Complementarmente, sistemas de climatização artificial foram previstos de forma otimizada, reduzindo o consumo energético e melhorando o conforto.
O projeto incorpora soluções de captação e reuso de águas pluviais para irrigação, limpeza e manutenção de jardins. Lavatórios externos, drenagens superficiais, jardins de infiltração e espécies adaptadas a solos úmidos integram o sistema hídrico do parque. As áreas de cocção, câmaras frias, áreas técnicas e depósitos estão concentradas no nível inferior, diretamente acessíveis pelas docas logísticas, facilitando a operação e reduzindo interferências nos fluxos do público.
A infraestrutura técnica foi pensada com lógica e previsibilidade. Shafts verticais distribuem as redes de forma eficiente, permitindo manutenção facilitada. O pé-direito generoso em áreas específicas garante flexibilidade futura de usos e boa integração com os sistemas complementares. Os sanitários são plenamente acessíveis, e os fluxos verticais se resolvem com rampas suaves, elevadores e sinalização tátil.
A proposta alia desempenho técnico, viabilidade construtiva e qualidade espacial. A arquitetura se antecipa ao futuro, adaptando-se a mudanças climáticas, usos variáveis e novos modos de vida. É um edifício generoso com o presente e preparado para o amanhã — resiliente, sustentável e essencialmente público.